Trabalhadores da FIAT em greve após contratação de Ronaldo

Um Fiat 500 agarrado por uma mão de alumínio é visto na escultura do artista italiano Lorenzo Quinn Vroom Vroom em Londres  (REUTERS)
Um Fiat 500 agarrado por uma mão de alumínio é visto na escultura do artista italiano Lorenzo Quinn Vroom Vroom em Londres (REUTERS)

A União Sindical de Base, um sindicato italiano, anunciou a convocatória de uma greve por parte dos trabalhadores da FIAT, a começar no domingo às 22 horas locais e a terminar na terça-feira às seis da manhã: será portanto um dia de greve.

Em causa está a contratação de Cristiano Ronaldo pela Juventus, por 112 milhões de euros, num negócio auxiliado pela FIAT.

«É inaceitável que enquanto a empresa continue a pedir, durante anos, enormes sacrifícios económicos aos trabalhadores, a mesma tome a decisão de gastar centenas de milhões de euros na compra de um jogador», lê-se no comunicado do sindicato.

«Dizem-nos que o momento é difícil, que devemos recorrer a amortecedores sociais, que aguardam o lançamento de novos modelos que nunca chegam. E enquanto os trabalhadores e as suas famílias apertam cada vez mais o cinto, a empresa decide investir muito dinheiro num único recurso humano. Acham bem? É normal uma só pessoa ganhar milhões e milhares de famílias não terem dinheiro quando chega o meio do mês?»

O problema, para o sindicato, está não só nos baixos salários que a FIAT paga aos trabalhadores mas também no facto da empresa ter o futuro em dúvida, não se sabendo se pode sobreviver muito mais tempo.

«A empresa deve investir em modelos de carros que garantam o futuro de milhares de pessoas ao invés de enriquecer apenas um. Este deve ser o objetivo de quem coloca os interesses de seus funcionários em primeiro lugar, se isso não acontecer é porque preferem o mundo do jogo e do divertimento», acrescenta.

«Somos todos empregados do mesmo dono, mas nunca como neste momento de enorme dificuldade social este tratamento desigual pode e deve ser tolerado. Os trabalhadores da FIAT fizeram a fortuna dos patrões por pelo menos três gerações e, em contrapartida, foram condenados a uma vida de miséria.»

Ora por isso o sindicato convocou uma greve. Resta saber se vai mesmo realizar-se.

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