“Sentirei sempre responsabilidade pela morte do Ayrton Senna, mas não culpa”

Adrian Newey (Reuters)
Adrian Newey (Reuters)

Adrian Newey é um dos homens mais respeitados na Fórmula 1 pelo seu papel na aerodinâmica dos monolugares tendo passado por equipas como a Williams, a McLaren e a Red Bull (onde está) com as quais venceu títulos mundiais.

Tendo trabalhado com a equipa de Grove entre 1991 e 1996 Newey viveu de perto a morte de Ayrton Senna no GP de São Marino de 1994. Como responsável pelo FW16 concebido para responder às alterações dos regulamentos para esse ano (fim da suspensão ativa, do controlo de tração e do ABS), o britânico confessa sentir responsabilidade pela fatalidade em que se traduziu um acidente cujas causas nunca ficaram inequivocamente esclarecidas.

"Eu era um dos engenheiros responsáveis numa equipa que desenhou um carro em que um grande homem foi morto. Independentemente de a coluna da direção ter causado o acidente ou não, não há como escapar do facto de que algo mau nunca deveria ter entrado no carro", afirma Newey na sua nova autobiografia "How to Build a Car".

"O que me faz sentir a maior culpa, porém, não é a possibilidade de que a falha da coluna da direção possa ter causado o acidente, porque eu não acho isso, mas sim o facto de eu ter complicado a aerodinâmica do carro", diz o engenheiro na citação da obra feita pelo «Motorpsort.com»: “Eu interpretei mal a transição da suspensão ativa de volta à passiva e projetei um carro que era aerodinamicamente instável, no qual Ayrton tentava fazer coisas que o carro não era capaz de fazer."

Newey relativizou “se ele teve um pneu furado ou não”, pois Senna “estava por dentro numa linha mais rápida e ondulada num carro que era aerodinamicamente instável” e “isso pode ter tornado o carro difícil de controlar, mesmo para ele." E é por isso que o britânico faz questão de dizer que mesmo não se sentindo culpado sente responsabilidades: “Sentirei sempre um grau de responsabilidade pela morte do Ayrton, mas não culpa."

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