Carlos Sousa: "Estava satisfeito por ter conseguido estar fora das corridas"

Carlos Sousa com a equipa Renault Dacia
Carlos Sousa com a equipa Renault Dacia

Sem competir desde janeiro 2016, Carlos Sousa assume que a pausa lhe fez bem. O português não se arrepende de ter largado o volante e não esperava, aliás, regressar à prova tão cedo.

“Estava satisfeito por ter conseguido estar fora das corridas. Houve provas de campeonato nacional e isso, mas nada me tirava o sono. Nem as 24h TT Vila de Fronteira. Nunca me senti pressionado, envolvido ou com motivação para”, explicou ao Autoportal.“Foi um convite que me apanhou de surpresa e por isso levou-me algum tempo a aceitar. Depois tive um grande azar, porque todos à minha volta insistiram que fosse ao Dakar (risos).

O convite da Renault Argentina surgiu numa fase pacífica do piloto que confessou-nos ter demorado a aceitar o desafio.

“Sempre tive uma paixão pela marca e o facto de a equipa ser diferente, pesou na decisão. Já estive em tantas equipas e em tantas marcas…chegar a esta fase da carreira e receber um convite de uma equipa estrangeira não dá margem para recusar. Ainda por cima, quando a equipa ambiciona um top-10.”, justificou.

“As pessoas podem pensar que é um resultado modesto, mas se tivermos em conta que estão 12 carros oficiais a lutar pelos primeiros lugares… o objetivo é muito bom”, concluiu.

Experiência não falta ao ‘Senhor Dakar’ e por isso a pausa não lhe faz diferença em termos de desempenho. Contudo, serviu-lhe para fazer um reset e colocar algumas coisas em perspetiva.

“Por vezes quando estamos a competir dia após dia, não damos valor aquilo que fazemos e que transmitimos ao resto do público. Lembro-me quando fomos campeões da taça do mundo, quando fomos fazer troféus, o ritmo de competição era tão rápido que se tornava monótono. Perde-se o sabor com aquela profissão”, confessou-nos.

“O facto de ter estado dois anos ausente das corridas, e ter agora um convite, é quase como participar pela primeira vez. Toda aquela parte gira, aquela adrenalina, emoção e ansiedade quase que aparece outra vez”, revelou o piloto que conta com uma carreira bem recheada no todo-o-terreno nacional e internacional.

“Depois de 17 edições do Dakar, 30 anos de competições, dá-me agora o nervoso miudinho (risos) Penso que esta pausa valoriza o trabalho feito no passado”, frisou.

Ao volante de um Duster

O “shakedown” organizado para o piloto de Almada realizou-se após a nossa entrevista e a pouco mais de uma centena de quilómetros da cidade de Buenos Aires. As primeiras impressões foram bastante positivas.

“O Duster está muito bem construído. Gostei do seu comportamento e do motor. A equipa é muito profissional e já se vive uma grande azáfama, pois estamos a duas semanas do início da prova”, explicou em declarações ao site oficial da Renault.

O Duster de Carlos Sousa ostentará o número 315 nas portas.

Leia a terceira parte da entrevista [aqui]

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