Carlos Sousa: "Muita gente vai 'dar à pá' e recordar o que era África"

Carlos Sousa regressa ao Dakar ao volante de um Duster
Carlos Sousa regressa ao Dakar ao volante de um Duster

Chamam-lhe o “Sr. Dakar português" e com razão. Carlos Sousa estreou-se na prova em 1996, soma 17 participações no maior e mais mediático rali do mundo, exibindo como melhor resultado um 4º lugar alcançado em 2003. Soma um total de dez presenças no top-10 da classificação geral. Ao 4º lugar de 2003, o piloto junta ainda dois quintos lugares (2001 e 2002), três sextos (2010, 2012 e 2013), três sétimos (2005, 2006 e 2007) e um décimo em 1997, além de seis vitórias em etapas.

Depois de uma pausa, o piloto retoma a aventura graças a um convite oficial da Renault Sport Argentina. Em entrevista ao Autoportal, Carlos Sousa confessou-se motivado para a próxima edição, a 40.ª da história do Dakar.

“Estava parado há dois anos e longe de imaginar poder ser convidado para regressar ao Dakar. Mas o convite surgiu e não podia ficar em casa. Assim que apareceu a primeira notícia de que estava inscrito o meu navegador ligou-me e disse: ‘Parabéns vais ao Dakar. Também quero ir contigo.’ A decisão foi rápida”, revelou.

“Estou muito motivado, tenho acompanhado o excelente trabalho que a equipa tem feito e não vejo a hora de me sentar ao volante”, contou.

Sobre a edição histórica, Sousa sabe que lhe espera um grande desafio. E não é para menos, já que para celebrar 40 anos de história, a ASO criou um percurso rico em beleza, mas sobretudo em obstáculos. É que para abrir as hostilidades, o rali Dakar volta ao Perú, país que irá receber as primeiras seis etapas. A zona oeste da América do Sul é dominada por desertos extensos que colocam os pilotos mais perto dos terrenos de África.

“O Dakar tem uma organização muito forte que pensa em todos os detalhes. Olhando para o percurso e analisando as etapas, concluímos que 50 por cento da prova vai ser em areia e isso já é merecedor de qualquer coisa”, assumiu Carlos Sousa.

“Não é fácil fazer uma prova na América do Sul com tanta areia, tanto deserto. O Peru, já o fiz duas vezes. Tem um deserto fantástico e nada fácil de atravessar. Portanto, ao fim de alguns anos muita gente vai “dar à pá” e recordar o que era África”, garantiu-nos.

Embora o percurso evoque saudosismo, Sousa acredita que está na hora de aceitar a mudança. A verdade é que o rali Dakar não irá regressar num futuro próximo ao continente africano, por força de questões sociopolíticas de grande parte dos países que pintam o percurso. Sem garantias de segurança, a organização transferiu o rali para a América do Sul e passados dez anos há ainda quem lamente a troca de continentes.

“Quando a Porsche desenvolveu o 953 e o 959 4x4, os saudosistas também não aceitaram a mudança”, lembrou. “Fiz 11 em África e seis na América do Sul. As provas são igualmente difíceis, sendo que África é mais perigoso e tem um coeficiente de dureza maior. Já o continente sul americano tem o inconveniente das longas distâncias de ligações, mas tem paisagens tão belas quanto o Dakar africano. A grande vantagem? Os espectadores”, revelou.

Carlos Sousa sabe colocar os dois formatos em cada prato da balança, mas deixa claro que a isolação não contribui para a motivação de um piloto/equipa.

“Em África havia etapas de 500 km sem se ver um espectador. Em caso de avaria, demorávamos três ou quatro dias a sair de lá. Estar sozinho é uma grande seca. Não achava muita piada. A moldura humana dá um certo calor. Imagine um estádio de futebol vazio ou um circuito de carros sem público nas bancadas”, atirou.

Não perca a segunda parte da entrevista [aqui]

 

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