Bernardo Sousa: "Encaro este rali como um regresso à escola"

Bernardo Sousa
Bernardo Sousa

Bernardo Sousa está diferente. O tempo de ausência de dois anos e meio serviu para o piloto madeirense colocar um STOP no frenesim da sua vida e refletir. Resultado: um piloto mais ponderado. Contudo, quem o julga menos confiante estará a dar um passo em falso. Até porque Bernardo promete cumprir os objetivos...um passo de cada vez. O primeiro começa no Rali dos Açores, palco de abertura do Campeonato Açoriano de Ralis.

(Re)começar do zero

"Bem vindo" ou "Boa sorte" são mensagens constantes que preenchem as caixas de comentários da página oficial do piloto madeirense que anunciou o regresso aos ralis, no início do mês de março, pela mão da Play/Autoaçoreana Racing que perdeu a dupla Ruben e Estevão Rodrigues. O projeto apelativo, e que envolve um Citröen DS3 R5, foi difícil de recusar.

"Já houve outras oportunidades e outras confusões para competir, mas nunca com um projeto assim tão bem montado. Apresenta-se muito bem estruturado e bem pensado. Não recebi proposta de equipa tão profissional como esta", confessou Bernardo Sousa ao Autoportal. "A responsabilidade é diferente, pois isto não é um projeto privado ou montado por mim. Estou a defender uma equipa e uma marca", assumiu.

Sentado na sua zona de assistência situado na marina das Portas do Mar, em Ponta Delgada, Bernardo fala entre sorrisos tímidos e num tom calmo. Entrar "a pés juntos" não está de todo definido na estratégia de Bernardo que se descentraliza do projeto, apesar da sua fama e qualidades ao volante.

"Se tivesse algo a provar, esta oportunidade não teria surgido. Se calhar havia mais soluções [pilotos], mas fui escolhido para este projeto e eles sabem em quem contar e reconhecem as minhas capacidades como piloto e pessoa. Acho que não tenho nada provar. Já ganhei no Campeonato Nacional, para o Mundial e para a Europa", atirou quando questionado sobre as mensagens que deixou nas redes sociais, aquando do anúncio da equipa.

 

"Antigamente era algo que pensava e que queria mostrar. Gostava que as pessoas me reconhecessem e isso, mas já não é uma coisa que pense. É tudo uma questão de gosto pessoal, se preferiam outro piloto. Mas ainda bem que há liberdade de escolha e as pessoas são livres de gostar de quem quiserem", explicou.

Notável o tom de descontração e a maturidade de discurso, adquiridos com o tempo de paragem que fez o piloto pensar na vida.

"Foi uma fase bastante difícil por estar longe, mas ao mesmo tempo teve o seu lado positivo. Parar para pensar, ajuda-nos a perceber o que correu bem, o que correu mal e o ainda pior. Este tempo serviu para refletir. Foi uma fase de aprendizagem", atirou o novo "aluno" que está bem diferente da sua versão 2014 - aquela que venceu o Rali dos Açores com o co-piloto Hugo Magalhães.

 

Relativamente a melhorias e a pontos menos positivos...há muita coisa que pode ter mudado. Amadureci bastante, envelheci um bocadinho" (risos) Houve coisas que mudaram, mas maioritariamente estou mais calmo e ponderado", garantiu.

O piloto madeirense andou um pouco à deriva - no plano desportivo - e reconheceu ainda que chegou a isolar-se durante a fase de paragem. Contudo, não assume que este projeto tenha servido de "bóia de salvamento" e no tempo certo.

As coisas têm de acontecer quando têm de ser", sublinhou. "A tranquilidade deve vir com a idade. Tenho muita paz de espírito, apesar de ter passado por uma fase de contenção e tristeza por não andar a correr. Andei um pouco afastado para desligar", confessou.

Embora o Rali dos Açores seja bem familiar, a vitória em 2014 já lá vai. Bernardo está concentrado no seu projeto e no Campeonato de Ralis dos Açores e mantém-se com os pés assentes na terra.

"O Rali dos Açores é um rali muito extenso e traiçoeiro e não representa o Campeonato de Ralis dos Açores, por vários fatores: o número de inscritos desce, as estradas ficam diferentes", afirmou.

"Ganhar quero sempre, como toda a gente. Mas sei que tenho falta de ritmo e, além disso, não se trata de uma questão ou um objetivo pessoal. Somos uma "família", temos patrocinadores para respeitar e objetivos para respeitar. Tenho de encarar este rali como um regresso à escola e... não posso adormecer no meio das aulas", (risos)

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