Carlos Sousa: "Sempre afastei o meu filho das competições dos carros"

Carlos Sousa está motivado com novo desafio
Carlos Sousa está motivado com novo desafio

A vida de Carlos Sousa está dividida entre Colômbia, onde reside uma grande parte do ano, e o Algarve, onde tem passado largas temporadas durante o verão. É precisamente nestes dois territórios onde dá asas ao projeto e ao passatempo de sempre: a náutica.

“É o meu hobby preferido. Sempre tive uma paixão muito grande pelo mar e comprei o meu primeiro barco em 1992”, confessou-nos.

Mas, como é que um “homem do mar” se dá no todo-o-terreno? A resposta é simples para Carlos Sousa.

“O mar e o deserto são dois grandes fatores interligados. Uma pessoa olha para a imensidão do mar e parece tudo igual e o deserto é a mesma. Dá a mesma tranquilidade”, assumiu.

Embora seja adepto do mar, o piloto prefere embarcar em ritmo de passeio. No programa não está a participação em provas náuticas. Contudo há uma exceção.

“As competições náuticas não me fascinam. Já fiz uma corrida e não gostei. Volvo Ocean Race? Sim. Sou fã dos barcos Trimarã que fazem a travessia atlântica e por isso, adoraria participar numa prova. Se houver uma corrida estou disponível”, avisou.

Piloto sem legado genético…por opção

Carlos Sousa não é o tipo de pai que faz questão que os filhos lhe sigam as pisadas. O piloto português sente alívio por ver Diogo e Sofia seguirem rumos diferentes e não apenas por questão de segurança.

Sousa sofreu um grave acidente em 2000. Com o navegador, João Luz, seguia ao volante de um Mitsubishi Strakar, quando no início da 9ª etapa do Dakar entre Waha e el-Khofra na Líbia acelerou a fundo numa duna cortada a direito. Caídos no vazio, a dupla teve de ser evacuada juntamente com outros seis concorrentes. Sousa escapou com alguns ferimentos, mas João Luz ficou paraplégico.

Sempre afastei o meu filho das competições dos carros porque sofri muito. Não foi só por causa do acidente”, confessou. “Competir em Portugal é muito complicado, porque é um desporto extremamente caro e não havendo apoios é impossível. E há muitos talentos…” lamentou Sousa que defende que para ter sucesso, o talento não chega. “Para chegar a grandes níveis é preciso tanta energia, seja de apoio, seja de lobbies. Passei por isso tudo. Posso dizer que passei pelo escalão máximo da competição a nível do todo-o-terreno. Uma pessoa quando gosta da modalidade e chega o momento que não pode evoluir é uma deceção na vida e por isso quis proteger o Diogo disso”, assegurou.

Diogo ainda deu uns pequenos passos nas quatro rodas, mas a genética incumbiu-lhe um obstáculo que o impediu de construir, pelo menos, uma carreira “confortável” no automobilismo.

“O meu filho é uma pessoa extremamente alta. Lembro-me dos tempos em que ele andava nos karts, com seis anos, nem precisava de olhar para o número do carro para o identificar. Ele ficava sempre acima do volante, no ‘primeiro piso’”, (risos)

“Para mim seria uma deceção se ele não chegasse ao nível que cheguei porque ia sentir-se mal. Agora proporcionou-se a hipótese de seguir a carreia de piloto comercial de aviões. Foi o melhor que podia ter acontecido”, explicou.

Sobre o que o futuro reserva para as novas gerações, Sousa está convicto que muito irá mudar tanto no panorama social como desportivo. Porém, uma coisa é certa. Uma competição com carros autónomos é impensável.

“Acho que automóvel vai sofrer muitas mudanças no futuro. A geração que gostava dos automóveis e das corridas não é a mesma”, sublinhou.

“Carros autónomos? Isso tira a piada toda. Espero bem que não seja uma realidade durante a minha vivência. E por isso mesmo, se algum jovem se iniciar no desporto hoje, o que lhe reserva o futuro?”, questionou.

A resposta não sabemos, porém até lá há muitos ralis por competir e de preferência com Carlos Sousa ao volante. Próxima paragem Dakar 2018, prova que decorrerá entre os dias 6 e 20 de janeiro, com passagem pelo Perú, Bolívia e Argentina.

Não perca a primeira e segunda partes da nossa entrevista ao piloto.

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