Caldo entornado (e a escaldar) na F1: Toro Rosso e Renault trocam acusações

Carlos Sainz - Toro Rosso - Canadá
Carlos Sainz - Toro Rosso - Canadá

A Renault e a Toro Rosso encetaram uma troca de argumentos neste fim de semana que está a ganhar proporções e os responsáveis da Red Bull já sentiram necessidade de vir colocar água na fervura de um caldo que já entornou.

Os vários problemas que o STR12 com motor Renault tem tido nas últimas corridas – com falhas mecânicas e trocas de componentes que têm implicado a penalizações como também acontecerá no GP do Brasil de set fim de semana – motivaram comentários do diretor da equipa francesa que fornece os motores à Toro Rosso.

“Temos alguma preocupação sobre a forma como o nosso motor é operacionalizado no carro da Toro Rosso, o que pode explicar por que temos tido tantas questões com origem na Torro Rosso em concreto”, afirmou Cyril Abiteboul em declarações à «Autopsort» nesta sexta-feira considerando que “nunca há coincidências” na Fórmula 1.

Já nessa instância, Franz Tost reagiu dizendo “é tudo o mesmo na montagem” e que “nada mudou desde o início do ano” refutando responsabilidades do chassi da Toro Rosso nos problemas da unidade de potência: “Não podemos fazer o que quer que seja, apenas ver as partes que recebemos, que unidades de potência e assim sucessivamente.”

Neste sábado, a Toro Rosso assumiu uma resposta formal ao diretor da Renault Sport F1 assumindo que também não acredita em coincidências e não só reforçando a recusa de responsabilidades, mas lembrando que ambas as equipas estão a lutar pela quinta posição no Mundial de Construtores.

Aqui se transcreve na íntegra o comunicado da Toro Rosso:

“Devido às recentes acusações do fornecedor de motores da equipa feitas nos media, a Toro Rosso deseja esclarecer a situação real no que respeita às unidades de potência.

É uma grande surpresa para a equipa que Cyril Abiteboul tenha sugerido aos meios de comunicação que os problemas que Toro Rosso sofre com a unidade de potência são principalmente relacionados com a equipa e com a maneira pela qual a unidade de potência é operacionalizada no chassi STR12.

Gostaríamos de esclarecer que todas as falhas do MGU-H e do Eixo que Toro Rosso sofreu recentemente não estão associadas a como a equipe está operar ou com a forma como a UP está integrada no chassi.

Nada foi mudado ou alterado nesta instalação durante a temporada de 2017, além das

Melhorias de meio de época no arrefecimento. Desde a paragem do verão, a Toro Rosso sofreu contínuas falhas relacionadas com a unidade de potência e as penalizações resultantes custaram pontos à equipa e posições relativas no Campeonato de Construtores.

Um dos principais motivos para as questões que estamos a ver é a falta de novas peças disponíveis para a unidade de potência. No caso da Toro Rosso, a equipa está constantemente a mudar partes de uma UP para outra durante o fim de semana e, em muitas ocasiões, é obrigada a fazer montagens de especificações antigas.

A última corrida no México teve apenas dois carros de seis a terminar a corrida frisando a fraca fiabilidade.

Não devemos esquecer que eles estão a lutar com a Toro Rosso por uma posição melhor no Campeonato de Construtores, como sugerido pelo Sr. Abiteboul, a situação pode não ser uma coincidência, mas é certamente não devido ao carro da STR.”

À «Sky Sports F1», o diretor da Toro Rosso reforçou a posição da equipa: “Quem é que começou este disparate? O Cyril ontem com a sua entrevista estúpida. Deveria eu dizer Tudo bem, boa entrevista dele, aceitamo-la?. Não, não a aceitamos. Por isso, fizemos o nosso comunicado.”

“Por que é que eu deveria pedir desculpa? Estamos ambos chateados”, reforçou Franz Tost: “Temos um contrato. Não vejo que [o] tenhamos quebrado. Temos um contrato, eles recebem uma série de dinheiro e têm de fornecer-nos com motores. Para mim é muito claro.”

Alain Prost, pelo seu lado, fez questão de dizer que a Renault não tem comportamentos desleais e que a Toro Rosso pode ficar tranquila. “nunca jogaríamos sujo para ganhar uma posição”, garantiu o conselheiro da casa francesa, também em declarações à «Sky»: “Eles terão um motor em Abu Dhabi, não há dúvidas sobre isso.

Com a temperatura alta, Helmut Marko fez também questão de colocar água na fervura: “Nos últimos dez anos, muitos de sucesso, temos vivido muitas emoções com o nosso atual fornecedor de motores. Como é habitual no final de mais uma longa época, as emoções estão ao rubro, mas a relação é valorizada e continuará assim.”

Em comunicado oficial da Red Bull, o conselheiro e diretor da formação da equipa austríaca reforçou que “nunca houve qualquer questão que não tenha sido tratada de forma justa e igual” pela Renault em relação à Red Bull: “E isso continua a ser verdade hoje.”

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