Autoeuropa: negociações reatadas a partir de segunda-feira

| (Atualizada às 15:06)
V?DEO: Trabalhadores e administração da Autoeuropa voltam às negociações

Reunião entre Governo, trabalhadores e administração da Autoeuropa já terminou e vão ser reatadas negociações a partir de segunda-feira.

"Vamos reatar as negociações", disse Fernando Gonçalves, coordenador comissão de trabalhadores da fabricante automóvel, sem querer adiantar se as conversações com a administração da empresa alemã implicarão começar do zero, em termos daquilo que é a decisão atual, e unilateral da gestão, comunicada já esta semana.

Por seu lado, o diretor da fábrica, Miguel Sanchez, começou por caracterizar a reunião de hoje como “muito produtiva e proveitosa” para depois acrescentar que o que “pode mudar é o modelo de trabalho do segundo semestre”.

Depois da rejeição, em plenário, de dois pré-acordos negociados com a CT de alterações aos horários de trabalho, na sequência do aumento da produção, a administração impôs unilateralmente o novo modelo para ser implementado em finais de janeiro e que inclui 17 turnos semanais.

A administração promete pagar os sábados a 100%, equivalente ao pagamento como trabalho extraordinário, que era uma das principais reivindicações dos trabalhadores. Este pagamento dos sábados a 100% poderá ainda ser acrescido de mais 25%, caso sejam cumpridos os objetivos de produção trimestrais.

Este modelo de horário e as suas condições são mais desfavoráveis e contrariam a vontade expressa pela maioria dos trabalhadores".

O novo horário, que entrará em vigor em finais de janeiro, deverá vigorar até ao mês de agosto de 2018. A Autoeuropa promete discutir o período após agosto com a Comissão de Trabalhadores.

Os novos horários de laboração contínua preveem quatro fins de semana completos e mais um período de dois dias consecutivos de folga em cada dois meses para cada trabalhador.

Depois de mais de três horas de reunião "densa" no Ministério da Trabalhado, em Lisboa, agendada pelo Governo face a “uma situação difícil e exigente”, o ministro Vieira da Silva reafirmou a urgência de retomar o diálogo entre trabalhadores e a administração da Autoeuropa.

Assim, a mensagem deixada às duas partes é que regresse de “forma sólida e duradoura” o “diálogo social construtivo e profícuo”.

Num encontro que contou com a presença do secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, e da secretária de Estado da Indústria, Ana Lehman, Vieira da Silva notou o empenho de todos para retomar o diálogo e alcançar soluções.

“Existe um ambiente de diálogo franco e aberto das duas partes e o sinal de recomeçar o diálogo é extremamente positivo”, acrescentou o governante, que sublinhou não querer “minimizar a dificuldade da situação”.

A questão dos horários colocou-se com o fabrico do novo modelo T-Roc, que como recordou Vieira da Silva, tem “grande aceitação comercial” e as previsões são de “dobrar ou até ultrapassar” a produção global prevista.

Este sucesso do modelo coloca a “empresa num patamar mais elevado e exigente”, além de permitir criar mais postos de trabalho.

“É um momento muito importante de consolidação do novo projeto, que vai alargar a gama de produção, aprofundar a dinâmica e colocá-la melhor nos desafios futuros no setor automóvel”, comentou ainda.

O Governo vai continuar a acompanhar a situação e poderá assumir “responsabilidades em algumas dimensões” como a criação e reforço de “equipamentos sociais de apoio à família” que possa responder aos novos horários da fábrica.

Já a “responsabilidade principal” para ultrapassar este impasse negocial “é das partes”, concluiu.

Esta terça-feira, administração da Autoeuropa comunicou que iria impor novos horários aos trabalhadores a partir de janeiro. Horários que implicam avançar com um novo horário de produção que envolve o trabalho ao sábado, pago com  um prémio adicional de 100%.

Outra das certezas dadas à saída da reunião, pelo representante dos trabalhadores foi a de que o plenário de trabalhadores se vai manter para dia 20 de dezembro.

À saída da mesma reunião, o responsável da administração admitiu mudança no modelo de trabalho do segundo semestre, mas remeteu tudo o resto para as negociações que se reiniciam para a semana.

A reunião aconteceu num dia em que a fábrica está parada por falta de componentes. Os trabalhadores da fábrica de Palmela dizem que não há peças para o fabrico do novo modelo T-Roc e que a produção deverá ser retomada na segunda-feira.

 

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