Obituário: Peter Schutz, o americano que salvou o Porsche 911 da extinção

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Porsche 911 Turbo
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Peter Schutz faleceu no passado fim de semana. Tinha 87 anos. Ficou conhecido no mundo automóvel como o homem que salvou o Porsche 911 da extinção.

Nascido em Berlim em 1930, chegou aos Estados Unidos com 11 anos quando a sua família, de origens judias, fugiu da Alemanha nazi.

Formou-se em engenharia no Illinois, começou a sua carreira no mundo automóvel na Caterpillar.

Em 1978, Schutz voltou à Alemanha para trabalhar na Kloeckner-Humboldt-Deutz. Três anos depois, Ferry Porsche (filho do fundador da marca) tratou de levá-lo para a fabricante alemã de desportivos. Em 1981, Peter Schutz tornou-se o primeiro CEO norte-americano da Porsche.

Num artigo de 2013 escrito para a «Road & Track», Schutz contou como logo no final dos primeiros dias como diretor da Porsche notou uma “tristeza generalizada entre os funcionários” descobrindo que “os empregados tinham perdido toda a motivação assim que chegou a decisão de cancelar o 911”.

“As vendas vinham baixando durante um ano”, “o 911 era muito difícil de controlar”, “blah, blah, blah”, foram argumentos com que Schutz se foi deparando quando a Porsche pensava que o rumo tinha mudado em direção aos novos 928 e 944 com motor à frente.

Mas os argumentos para a descontinuação do 911 “não caíram” bem no que ao novo diretor respeitou: “Se o carro podia ser temperamental às vezes, pelo menos tinha caráter. Era o que as pessoas mais gostavam nele (...) Era o único carro que valia a pena guiar porque era o único carro que dava luta.”

Em desacordo com o rumo decidido, o então recém chegado diretor executivo da Porsche contou na «Road & Track» como foi em frente com a sua visão e, exatamente, como a aplicou.

“Temos de perceber que, na Alemanha, quando uma decisão está tomada, está tomada. No que respeitava à empresa, o 911 tinha passado à história. Mas eu reverti a decisão da administração à minha terceira semana no cargo. Lembro-me muito bem: fui ao gabinete do nosso engenheiro chefe, o Professor Helmuth Bott, para discutir os planos para o nosso modelo seguinte. Reparei num gráfico pendurado na parede que descrevia as tendências de desenvolvimento das nossas três gamas de topo: 911, 928 e 944. Com opções recentes, o gráfico mostrava um aumento sólido na produção dos próximos anos. Mas, para o 911, a linha parava em 1981. Tirei um marcador da secretária do professor Bott e prolonguei a linha do 911 ao longo do gráfico, ao longo da parede e porta fora. Quando voltei, Bott tinha ficado ali de pé, sorridente.”

Peter Schutz foi CEO da Porsche entre janeiro de 1981 e dezembro de 1987. Pela sua direção passaram também o icónico 959 ou o trabalho de tração integral da fabricante germânica. Mas, mais do que tudo, é a salvação do 911 que o deixa na história da marca.

O primeiro americano a dirigir a fabricante germânica impediu em 1981 a extinção de um modelo criado em 1963 – e que hoje, em toda a sua pujança como expoente de referência da Porsche, tendo chegado ao milhão de unidades em maio passado, tem 23 versões diferentes.

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