24 HP: o Alfa Romeo que nasceu antes de a marca existir

  • Redação Autoportal
  • 25 abr 2020, 13:28

Marca italiana comemora em junho os 110 anos e recorda os seus modelos mais carismáticos

A Alfa Romeo vai comemorar os seus 110 anos de vida em junho e para assinalar mais um aniversário, a marca produziu uma série de pequenos filmes para as redes sociais de forma a reviver toda a sua herança através de 11 dos veículos mais emblemáticos da marca italiana.

A história da Anonima Lombarda Fabbrica Automobili (ALFA), que nasceu oficialmente a 24 de junho de 1910, começa um ano antes quando o Cavalier Ugo Stella compra a Pierre Alexandre Darracq a fábrica que o francês tinha transferido em 1906 para Milão.

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No outono de 1909, Stella pede a Giuseppe Merosi, um apaixonado por automóveis, tal como muitos jovens do seu tempo, que crie duas viaturas completamente novas nas gamas de potência de 12 e 24 cv, mais potentes que os modelos de Darracq, adaptadas aos gostos da clientela italiana e com chassi que permitisse montar carroçarias de prestígio.

Provavelmente caso único na história do automóvel, o 24 HP nasce antes da marca que iria comercializá-lo. Dotado de um motor monobloco (pouco comum à época), 4 cilindros, 4 litros de cilindrada e 42 cv de potência, este modelo contava com uma transmissão de um cardã para as rodas traseiras.

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Para além disso dispunha de um robusto chassi de longarinas e travessas em chapa estampada em C – a partir do qual os carroçadores Castagna, Schieppati, Sala e Bollani desenvolvem versões torpedo e limusina dirigidas a uma clientela muito exigente.

O 24 HP era capaz de alcançar uma velocidade de 100 km/h, para além de oferecer um excelente comportamento em estrada. Não foi por isso de estranhar que tenha agradado de imediato.

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Merosi percebe que está no caminho certo e carrega no acelerador. Em 1911, desenvolve o 24 HP Corsa, com peso reduzido, mais potente e mais veloz – um pouco como o GTA dos nossos dias. Com este modelo, a ALFA entra no mundo da competição, um ano após a fundação. A primeira vitória chega na prova Parma-Poggio di Berceto de 1913: o piloto Nino Franchini fica em segundo da geral e em primeiro na classificação por categorias.

Para uma marca jovem, as corridas são o melhor modo de dar-se a conhecer e por isso decide dar o grande salto, começando a construir uma viatura especificamente com esse fim.

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Dessa forma em 1913 nasce o 40/60 HP, com base nesta mecânica, desenvolve-se uma das mais futuristas criações da época. O conde Ricotti pede ao carroçador Castagna que experimente no chassi ALFA as soluções sugeridas por uma ciência em ascensão: a aerodinâmica. E é assim que nasce o 40/60 HP Aerodinâmica, um automóvel que parece saído de um romance de Júlio Verne, capaz de chegar a 139 km/h.

Contudo a Primeira Grande Guerra acabou por alterar o cenário para todos, incluindo a ALFA, chamada a participar no esforço bélico e depois da entrada da Itália no conflito a empresa é comprada pelo industrial napolitano Nicola Romeo que muda a filosofia de produção, orientando-a para a atividade bélica.

Do apelido do empresário nasce o novo nome da ALFA e o novo símbolo Alfa-Romeo Milano.

Os primeiros modelos a ostentar a nova Marca são os 20-30 HP e a respetiva versão ES Sport. Automóveis que nascem no sulco já aberto por Merosi antes da guerra: elegantes, velozes e com inconfundível personalidade.

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Naqueles anos, os pilotos Giuseppe Campari, Antonio Ascari, Ugo Sivocci e o jovem Enzo Ferrari surgem frequentemente nas primeiras páginas dos jornais. Mugello, Parma-Poggio di Berceto, Targa Florio, Aosta-Gran San Bernardo, Coppa delle Alpi: os Alfa Romeo chegam sempre entre os primeiros. Mas faltava ainda a grande afirmação internacional que surge em novembro de 1921, com o novo Alfa Romeo RL apresentado no Salão do Automóvel de Londres.

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Dotado de um Motor de 3 litros, 56 cv de potência, o RL alcançava uma velocidade de 110 km/h e a direção era extremamente precisa.

O RL foi um sucesso em todo o lado e o número de carros construídos nas várias versões foi de 2640, com encomendas de todos os continentes.

Sempre sob a batuta de Merosi, surgem em 1923 duas versões especiais Corsa com peso reduzido a 980 kg. Nascem para triunfar no rali Targa Florio – e conseguem-no.

Em abril, Ugo Sivocci apresenta-se na grelha de partida com um trevo de quatro folhas verde sobre fundo branco pintado no painel lateral da viatura. O amuleto funciona e Sivocci triunfa no XIV Targa Florio (a primeira de uma longa série de vitórias) e o Quadrifoglio entra para a história da marca.

Chegava então momento de separar a produção em série da produção de viaturas destinadas às corridas. Nesse sentido Enzo Ferrari em pessoa indica um nome para responsável do departamento: Vittorio Jano, um jovem projetista do Piemonte que ganhou, na FIAT, profunda competência na arquitetura de motores e chassis.

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Jano leva para a Alfa Romeo ideias revolucionárias, como a sobrealimentação dos motores de pequena cilindrada. Ideias que se revelam vencedoras. O seu GP Tipo P2, com Ascari ao volante, arrasa a concorrência no circuito de Cremona, a uma velocidade média superior a 158 km/h.

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As vitórias do Tipo P2 levariam a Alfa Romeo ao topo do automobilismo desportivo. Em 1925, de facto, chega a conquista do primeiro Campeonato Mundial Gran Prix, organizado pela Associação Internacional dos Clubes Automóveis Reconhecidos.

Para celebrar a vitória, o logótipo Alfa Romeo passou a ser contornado por uma coroa de louros.

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