Hervé Poncharal: "Um top 10 com o Miguel Oliveira em 2019 será fantástico"

Miguel Oliveira (Lusa)
Miguel Oliveira (Lusa)

Hervé Poncharal, o dono da nova equipa de Miguel Oliveira no Mundial de MotoGP revelou agora que "seria fantástico" o piloto português conseguir um lugar entre os dez primeiros na época de estreia na categoria rainha.

Em entrevista à «Lusa», Poncharal, proprietário da Tech3 que na próxima temporada vai acolher o piloto português da KTM, alertou para as diferenças que Miguel Oliveira vai encontrar a partir desta terça-feira, quando começar a rodar com a nova mota nos primeiros testes de MotoGP.

"O nível está muito alto. Mesmo acreditando que o Miguel Oliveira tem qualidade para o MotoGP, há muitas coisas que tem de aprender. A mota tem o dobro da potência, por exemplo. Aquela com que ele correu até agora em Moto2 tem 130 cavalos, mas a de MotoGP tem 270. O peso também é um pouco maior e os travões são diferentes, pois somos obrigados a utilizar discos de carbono enquanto que em Moto2 são de ferro. Na categoria intermédia a eletrónica é muito básica e muito avançada em MotoGP. Ele tem de aprender a gerir e a usar tudo isto para poder ser rápido", explicou o Poncharal, que na próxima temporada inicia uma parceria com a KTM depois de vários anos com a Yamaha.

O facto de a marca austríaca ter recebido uma licença de novo construtor permite que a equipa tenha mais dias de testes disponíveis do que as restantes, "o que é bom porque dá tempo para aprender", acrescentou o responsável da Tech3.

A nova temporada de MotoGP arranca já na terça-feira com os primeiros dois dias de testes que tem lugar em Valência. "A vida é feita de desafios. Alguns temem-nos e outros adoram-nos. O Miguel é um dos que gostam", frisou Hervé Poncharal, que em 2018 conquistou três pódios com o francês Johann Zarco.

Sem fazer previsões quanto aos resultados esperados para o piloto português na temporada de estreia no MotoGP, Hervé Poncharal lembrou que 2019 será um ano bastante competitivo. "Há oito motas de fábrica mais as equipas privadas apoiadas pelas fábricas. Se fizermos um top 10 com o Miguel na primeira metade da época de 2019 será fantástico. Mas não espero isso no início", garantiu.

Quanto a um lugar no pódio, "será impensável, pelo menos para já", assegura o francês.  "As pessoas em Portugal não devem ficar desapontadas se ele terminar as primeiras corridas na 15.ª posição ou mesmo fora dos pontos".

Hervé Poncharal aponta outro objetivo para a primeira época do piloto português na categoria rainha do Mundial de velocidade, assumindo que o maior desafio será a comparação com os outros ‘rookies', nomeadamente com o italiano Francesco Bagnaia (Ducati) e com o espanhol Joan Mir (Suzuki).

"Aparenta ser um rapaz tímido, mas, quando se conhece melhor, é uma pessoa com a mente aberta e sentido de humor. O que queremos é entender a sua forma de trabalhar e pilotar, e que se sinta bem com a nossa equipa", garantiu, sublinhando que "é importante que haja uma boa química entre todos".

O responsável pela equipa mostrou-se ainda "orgulhoso" por acolher a estreia em MotoGP "do primeiro piloto português da história desta categoria".

Para já, Miguel Oliveira tem um ano de contrato com a KTM, mas Hervé Poncharal acredita que poderá manter uma longa ligação com o português, "a não ser que o desempenho dele seja tão bom que uma equipa de fábrica o queira levar. E, aí, não lhe poderemos cortar as pernas", acrescentou Poncharal.

Miguel Oliveira terminou a época de 2018 como vice-campeão de Moto2, naquela que foi a sua terceira época na categoria intermédia, da qual se despede com seis vitórias, sete segundos lugares e oito terceiros.

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