André Negrão, apaixonado pelo Estoril e amigo de Félix da Costa: “Ele devia ter ido para a F1”

André Negrão, Elf Matmut Alpine
André Negrão, Elf Matmut Alpine

Conversámos com o piloto brasileiro mais português da atualidade... pelo menos em parte...

André Negrão é o piloto brasileiro que corre pela equipa francesa Alpine na categoria Hypercar do WEC e quem segue o desporto motorizado identificá-lo-á desde logo pela tradição da família nas corridas de automóveis até aos melhores resultados como as vitórias nas 24 horas de Le Mans.

O que pode não ser tão conhecido – arriscamos – de especial interesse para os seguidores portugueses é que este brasileiro de 29 anos com raízes profundas em Itália tem uma relação especial com Portugal que envolve uma paixão única pelo Autódromo do Estoril e uma amizade com António Félix da Costa que o faz recordar um tema como o que faz título desta conversa.

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O Autoportal encontrou-se com André Negrão por ocasião das 8 Horas de Portimão do Mundial de Resistência, no passado mês de junho, e este piloto de trato facílimo não tem problemas em recordar como o sonho de um miúdo brasileiro que vem para a Europa atrás do sonho da Fórmula 1 pode ter de mudar de direção a certa altura do percurso.

O Alpine do campeonato WEC
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Com um trajeto trabalhado desde o primeiro teste na Europa em 2007 à mudança geográfica ‘definitiva’ em 2009 para cumprir as etapas esperadas até a entrada no Grande Circo, André Negrão deu o salto da Fórmula Renault 3.5 para a GP2, mas os anos de 2014 e 2015 na categoria antecâmara não lhe correram da melhor forma: “Foi aí que vi que não ia chegar à Fórmula 1: por causa de alguma falta de resultados, que eu não tinha na categoria dos mais rápidos, e também por falta de patrocinadores, de um suporte maior...”

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A inexistência de ‘empurrões’ complementares ao talento de tantos é uma face ingrata de uma moeda que só cai do lado certo para uns poucos e, falando para portugueses, é o brasileiro Negrão, sem ser necessário referir-lhe, quem puxa para o lado de António Félix da Costa o tema dos que ficam de fora.

“Eu segui o final da carreira dele [nas categorias de lançamento]. O Félix da Costa era, com certeza, uma pessoa que deveria ter ido para a Fórmula 1. Ele é um menino talentoso, um menino que eu vi fazer grandes resultados em pista. Foi uma pessoa que correu comigo e ele teve a oportunidade de ir para a F1, mas a Red Bull acabou por optar pelo [Daniil] Kvyat. Lembro-me disso como se fosse hoje: eu estava em Barcelona, com ele, na última corrida da World Series [Renault 3.5]; minha e dele.”

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Para todos os efeitos, apesar de trabalhar na Europa a maior parte do seu tempo, o brasileiro nascido em Campinas (São Paulo) ainda mora no seu país natal e as oportunidades para reencontrar Félix da Costa têm calendário marcado, como aconteceu em Portimão: “Encontramo-nos sempre aqui no WEC – ainda hoje. Ele é uma pessoa pela qual tenho um carinho enorme, é uma pessoa sempre aberta a conversar. É bom ter este tipo de amizades na pista.”

Pelo meio das amizades portuguesas passa também Filipe Albuquerque, o outro português no WEC, e não é difícil de explicar a afinidade, pois, "os brasileiros encontram-se sempre com os portugueses porque é mais fácil por falarem a mesma língua. Acabamos sempre por tomar um café.”

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“Agora, com a covid, não podemos misturar-nos com outra equipa, porque se alguém estiver infectado, pode infectar outra equipa e torna-se um bocado mais difícil. Mas, antes, com tudo aberto, era muito legal...”

André Negrão chegou mesmo a morar em Portugal, mesmo que tenha sido com uma “passagem rápida” em 2009. “Foi quando tinha acabado de chegar à Europa e estávamos a tentar descobrir a equipa onde eu ia ficar. Acho que foram uns dois meses que acabei por ficar [a morar] no Estoril. Foi bem no começo” da carreira europeia.

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“Para um menino de 16 anos, vindo do Brasil, o local onde ele vai querer morar é em Portugal, pela facilidade da língua.” Em Portugal, na companhia da mãe, o menino piloto a sonhar com a F1 voltou a fazer mais alguns quilómetros. Lá está, a língua facilita, mas a distância volta a ser determinante: “Encontrámos uma equipa em Itália e ficou difícil ficar a morar em Portugal e trabalhar com o pessoal em Itália.”

Mesmo assim, desafiamo-lo a concordar se poderá ser o piloto brasileiro mais português nesta altura. Neto de italianos, André Negrão, não desmente, mas também não confirma na totalidade: “Sim, sim... Mas, teoricamente, eu seria também um Brasil-Itália, porque morei 5 anos em Itália.” “Mas essa ligação com Portugal vai haver sempre, pela ligação de amigos que tenho aqui e pelo facto da língua” e – acrescentamos nós agora – pelo Estoril e pelo seu autódromo, no qual inclui as imagens que viu de Ayrton Senna.

“Eu morava no Estoril e o Circuito do Estoril foi das primeiras pistas onde andei. E andei bastante até mudar para outra. É uma paixão pelo facto de ser a primeira pista que se conhece na Europa. A um menino novo, impacta a primeira pista em que se corre com um fórmula na Europa. Fala-se: que legal.”

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Dois anos depois, em 2011, André ficou a conhecer o Autódromo Internacional do Algarve num teste da antiga Fórmula 2: “Passei dois dias aqui, mas a pista não era como hoje: era bem mais ondulada, o asfalto era bem pior, era uma pista bem mais complicada. Depois disso, nunca mais voltei.”

Até agora. E como tudo se transforma, a pista de Portimão também evoluiu para o cognome que já faz parte do seu cartão de visita. “É rápida. Chamamos-lhe montanha russa portuguesa: sobe, desce, tem curvas rápidas, curvas baixas, curvas cegas. É um circuito muito interessante, muito legal.”

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