Miguel Barbosa regressa ao Dakar: “É altura de procurar outros voos”

Piloto português revelou ao Autoportal as razões e as expetativas deste regresso

Miguel Barbosa está de regresso ao Dakar 12 anos depois. Com participações em 2006 – em que foi o melhor ‘rookie’ –, 2007 e 2010, o oito vezes campeão nacional de Todo-o-Terreno vai voltar à prova rainha dos rali raids que vai decorrer entre 1 e 14 de janeiro do próximo ano.

O Toyota Hilux T1 de Miguel Barbosa já embarcou para a Arábia Saudita, onde o Dakar vai realizar-se pelo terceiro ano consecutivo. O piloto português e o seu navegador, Pedro Velosa, vão no próximo dia 26 deste mês.

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Antes da partida, o tempo é o de conciliar o descanso emocional com a preparação física e fazer os contactos com os media no lançamento desta nova participação, como nos contou Miguel Barbosa nesta conversa telefónica com o Autoportal.

Autoportal – O sonho do Dakar é um sonho que para o Miguel, como já o ouvimos dizer, ficou a meio. Por que é que é um sonho a meio e porquê a decisão de retomá-lo agora?

Miguel Barbosa – É um sonho que ficou a meio porque fizemos três e com a mudança para a América do Sul deixou de ser interessante. Mas sentíamos que podíamos fazer mais... sendo que tivemos de deixá-lo cair... A decisão de voltar foi porque a prova mudou para a Arábia Saudita e volta a ser apelativa para a Europa: em termos de horários, de patrocínios, de media... Este era o momento certo. Fomos campeões de Todo-o-Terreno em 2020. É altura de procurar outros voos. Foi uma conjugação de fatores.

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AP – A Baja Portalegre 500 terminou há poucas semanas. Que preparação específica para o Dakar é que têm conseguido fazer?

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MB – Não foi possível ir aos ralis do Hail ou Marrocos. Não fizemos uma preparação de percurso no terreno. Vamos poder fazer um pequeno treino na Arábia, ter um primeiro contacto... Vai ser a seco. Mas temos de ver o lado positivo: vamos ao Dakar.

AP – E com que objetivos é que partem?

MB – O projeto é sempre a médio prazo. Depois é que vamos poder definir. Sempre que vamos para uma corrida vamos para uma vitória, mas temos de ser realistas: é o primeiro ano de um projeto a médio prazo. Acabar será o primeiro objetivo, fazer quilómetros. Acabando ficaremos bem classificados com certeza. As expetativas têm de ser realistas e vai ser um ano de estudo.

AP – Que diferenças ou semelhanças é que espera encontrar neste Dakar, na Arábia, estes anos depois, em relação às suas outras participações?

MB – É retomar o espírito. São provas diferentes. A navegação mudou bastante, os road book são em formato digital, são dados 20 minutos antes da partida... Há um esforço maior de navegação que vamos descobrir e isso será um desafio.

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AP – Como vê a chegada dos veículos elétricos também ao desporto e, em concreto, já neste ano também ao Dakar?

MB – O desporto automóvel é um laboratório. Pessoalmente, tenho as minhas reservas. Tenho mais interesse pelos biocombustíveis e pelos combustíveis sintéticos. Os elétricos são projetos que só grandes marcas como a Audi conseguem fazer; os privados não. Mas todas [as iniciativas] são bem vindas, contudo.

AP – Se nos permite perguntar sobre o lado mais pessoal, como é que se prepara a família para esta aventura do Dakar?

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MB – A família está habituada à minha vida de piloto, mesmo que não em relação ao Dakar. Mas até no meu primeiro Dakar, a minha mulher estava grávida do nosso primeiro filho. Mas estar estas três semanas fora vai ser uma novidade, sim.

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