Os leitores perguntaram e François Delecour respondeu

François Delecour no RallySpirit 2018

François Delecour foi a figura maior da 4.ª edição do RallySpirit, prova de Rally-Legends à qual o Autoportal se associou na promoção para os seus leitores de um passatempo para permitir aos vencedores acompanhar o espetáculo em condições privilegiadas.

Uma das etapas a percorrer pelos concorrentes ao passatempo era colocar uma questão ao piloto francês – cuja pertinência seria decisiva para se ser um dos vencedores. Mas não acabou aí.

Além de terem sido fundamentais para encontrar os vencedores, as questões colocadas a François Delecour tiveram obviamente resposta por parte do piloto francês; o que agora partilhamos com todos os leitores do Autoportal.

Adriana Luísa Ruiz - Por que é que não consegue reformar-se?

François Delecour - Porque a paixão pelos ralis está-me no sangue e, desde cedo, que os ralis foram a profissão que escolhi! Não sei quando é que vou terminar a minha carreira, mas enquanto sentir prazer de conduzir e ainda for rápido, confesso que não tenho grande vontade de reformar-me.

José Jorge Santos Loureiro - Qual foi o rali do Campeonato do Mundo em que mais gostou de participar?

François Delecour - Sem dúvida que foi o Rali de Monte Carlo. O Rali de Monte Carlo está para os ralis como o Grande Prémio do Mónaco está para a F1, Indianapolis está para a Fórmula Indy ou as 24 Horas de Le Mans estão para as corridas de Resistência. É, simplesmente, a meca dos ralis. A paixão por esse rali tem a ver com o desafio constante que ele provoca. Nunca sabemos em que condições vamos encontrar a estrada. Tanto pode ser de asfalto seco, asfalto molhado, com neve ou com gelo, o que torna as opções de escolhas de pneus e de afinações muito complicadas e obriga a fazer compromissos de afinações e gestão estratégica. Já participei mais de 20 vezes e nunca tive um rali igual!

Mário Moreira - Qual foi a melhor ‘stage’ que já fez em Portugal?

François Delecour - Os meus troços favoritos eram os de Arganil. Lembro-me de uma classificativa que percorríamos às 5h00 da manhã, em que a estrada estava simplesmente gelada, o que obrigava a uma condução muito delicada. Mas a especial da “Freita” também era muito complicada, com a mistura de terra e de asfalto, mesmo se, e talvez por isso, fosse uma das que mais adorava! De resto, quase todos os troços de asfalto, desde a partida em Lisboa até ao Porto, eram maravilhosos!

Adriano Delgado - Qual a importância deste género de provas (Rally-Legends) para o desenvolvimento do desporto motorizado?

François Delecour - É grande. Claro que ninguém espera que este tipo de ralis possa vir a ter maior peso do que uma prova do Campeonato do Mundo, só porque apela à nostalgia. Mas é verdade que permite outro tipo de ambiente, muito mais aberto, onde o público pode ver e sentir carros que fizeram a história dos ralis antigos. Para os pilotos também é uma mais valia grande, pois podem encarar este tipo de provas com um nível de descontração diferente e sem a constante pressão dos resultados. Aqui não há jogos de bastidores, nem estratégias escondidas e isso permite outro tipo de envolvimento que chama mais gente aos ralis. E mais gente significa maior popularidade ajudando, nesse sentido, a expandir este desporto.

Daniel Mendes Fernandes - Como considera a diferença entre ser piloto no seu início de carreira com um piloto a começar hoje?

François Delecour - É totalmente diferente. Quando comecei havia muito maior liberdade de ação e o convívio entre pilotos e até os adversários tinham outro espírito. Podíamos treinar mais e, sobretudo, viver os ralis como hoje já não é possível. Mas há uma coisa que se mantém: continua a ser preciso talento para vingar e conquistar oportunidades para se poder chegar mais longe.

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