Carlos Tavares: custos da transição elétrica estão “para lá dos limites” da indústria automóvel

  • Redação Autoportal
  • 2 dez 2021, 16:29
Carlos Tavares avisa que as marcas tem 10 anos para ser rentáveis
Carlos Tavares avisa que as marcas tem 10 anos para ser rentáveis

Líder da Stellantis avisa que custos para a indústria automóvel podem “implicar questões sociais” como os cortes de postos de trabalho

Carlos Tavares deixou um aviso sobre os custos que a rapidez exigida à industria automóvel para a transição para a eletrificação podem acarretar, pois os fabricantes estão “para lá dos limites” que podem suportar e esse peso pode acabar também por cair em cima dos postos de trabalho.

“O que foi decidido foi impor a eletrificação à indústria automóvel, o que acarreta um custo adicional de 50% em relação a um veículo convencional. Portanto, temos de assimilar 50% de custo adicional”, afiançou o líder da Stellantis na conferência Reuters Next.

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Esse custo adicional de 50% não pode “de forma alguma” ser transferido para o consumidor final, pois, como apontou Carlos Tavares em entrevista no evento digital, “a maior parte das classes médias não conseguirão pagar esses novos carros à venda”.

E, mesmo num cenário em que os fabricantes estejam dispostos a diminuir as margens de lucro ao vender menos carro, que vão ser mais caros, isso poderá cortar postos de trabalho: “Perdemos a base de clientes e depois temos de encolher a empresa: o que vai originar, claro, questões sociais.”

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Carlos Tavares explicou que os fabricantes precisam de tempo para testar a nova tecnologia, pois, forçar a velocidade “vai simplesmente ser contraproducente”, já que “trará todo o tipo de problemas”, como os da qualidade.

O CEO português da Stellantis revelou que o seu grupo tentará evitar cortes aumentando a produtividade mais rápido do que é normal no setor automóvel: “Nos próximos cinco anos, temos de assimilar 10% de produtividade por ano... numa indústria que está habituada a oferecer [um aumento anual de] 2 a 3%.”

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“O futuro dirá quem vai conseguir assimilar isto e quem falhará. Estamos a colocar a indústria nos seus limites”, afirmou Carlos Tavares.

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