Mesmo antes da estrada, o motor Daimler já andava na água

  • Redação Autoportal
  • 5 out, 10:40

Há mais de 135 anos, a patente de Gottlieb Daimler começou por ser testada quase em segredo em pequenas embarcações

As necessidades de mobilidade no final do século XIX não se resumiam às estradas, uma vez que as pessoas que habitavam junto de rios ou lagos também contavam com outros tipos de rotina. Ciente disso, Gottlieb Daimler também começou por usar embarcações de tamanho compacto para testar a sua nova patente, o motor de combustão de apenas um cilindro que viríamos a conhecer mais tarde naquele que ficou conhecido como o primeiro automóvel do mundo.

As reações de quem estava na margem eram das mais variadas, uma vez que neste barco não existia nenhuma vela, nem se via ninguém a remar, mas a verdade é que a bordo estava o motor de combustão de Gottlieb Daimler com Wilhelm Maybach a trabalhar nele, enquanto deslizava pelas águas do rio Neckar em agosto de 1886.

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Na realidade, existiam três barcos com três tamanhos diferentes: Neckar, Rems e Schwaben, com capacidades que variavam entre duas e dez pessoas. E o motor em que ambos estavam a trabalhar há quase quatro anos e que chegaram a estrear no estranho veículo de duas rodas batizado de “Reitwagen” 1885, também provou que serviria muito bem como propulsor desta nova forma de mobilidade sobre água.

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Por parte do público, a utilização de um motor a gasolina era tudo menos esperada e até Daimler fez tudo para dar a entender que se tratava de um motor elétrico (em 1886), instalando todas as cablagens necessárias durante o dia e escondendo o motor de combustão durante a noite. Mesmo quando estava instalado e em funcionamento, estava sempre camuflado durante a fase de testes.

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Em outubro de 1886 Daimler registou a sua patente, que acabou por ser emitida em junho de 1887 na Alemanha e um pouco antes, em abril, nos Estados Unidos. Além do motor de combustão, Daimler registou ainda uma revolucionária unidade de inversão, que permitia conduzir as embarcações em marcha-atrás, perfeito para as manobras de estacionamento.

Depois de algumas apresentações ao público, a produção começou finalmente em 1888 no seu novo estaleiro de Bad Cannstatt. Os cascos eram fornecidos por construtores já existentes, nos quais Daimler instalava o seu motor e sistema de propulsão. Um deles foi o “Marie”, que pertenceu à família do Chanceler do Reich alemão Otto von Bismarck e que se encontra atualmente no museu da marca, em Estugarda, tal como o Reitwagen de duas rodas e o Benz Patent-Motorwagen, que ficou conhecido como o primeiro automóvel. Comum a todos estes é o pequeno motor de apenas um cilindro e que ficou na história da marca para sempre.

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A Benz também começou a produzir motores para barcos, praticamente na mesma altura e depois da fusão com a Daimler em 1926 continuaram a fazê-lo ao longo do século XX. Uma das criações mais conhecidas pertencia a Herbert Quandt, o acionista maioritário da empresa, e consistia em dois barcos capazes de bater recordes de velocidade, uma vez que estavam equipados com um potente motor de seis cilindros, conhecido por também equipar o icónico Mercedes-Benz 300 SL Coupé (W 198) que melhor conhecemos por Gullwing, ou asas de gaivota.

Atualmente, os projetos da marca alemã destinados a andar na água são menos comuns, mas não menos interessantes. Na sua maioria são desenvolvidos pela área destinada ao estilo de vida e decoração, com a marca Mercedes-Benz Style e um dos últimos exemplos é o Arrow 460 Granturismo, apresentado em 2016.

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