Da pista para a estrada: testámos o potente Mégane R.S. Trophy-R

  • Virgílio Machado
Renault produziu 500 unidades do seu desportivo mais radical

O setor automóvel vive uma época de grande transformação com uma aposta forte na mobilidade elétrica.

Mas apesar da aposta nos elétricos algumas marcas continuam a oferecer-nos propostas dotadas de motor térmico, que nos fazem lembrar que não existe nada igual ao 'ronco' de um potente bloco a gasolina.

É o caso do Renault Mégane R.S. Trophy-R, terceira versão da gama desportiva deste modelo da marca francesa, que testamos e nos deixou completamente rendidos às suas capacidades desportivas.

Depois de ter estado aos comandos da versão anterior, Mégane R.S. Trophy, partimos da ideia que está versão não seria muito diferente. A verdade é que nos enganamos e logo que recebemos a chave e nos dirigimos ao novo R.S. Trophy-R, percebemos que este não seria um desportivo igual aos outros.

O seu ar desportivo é verdadeiramente impressionante e a sua dinâmica é claramente focada na competição, transportando para a estrada todas as tecnologias e os conhecimentos adquiridos pelos engenheiros da Renault Sport em pista.

Assim o Mégane R.S. Trophy-R apresenta um capot em carbono com uma generosa entrada de ar, um difusor traseiro, igualmente em carbono, jantes em liga leve 'Fuji Light' de 19 polegadas que permitem uma poupança de 2 kg por roda, um conjunto de pormenores que nos deixam num primeiro e rápido olhar, impressionados pelos detalhes exclusivos desta versão mais desportiva do Mégane.

O coração deste desportivo é o bloco 1.8 de 300 cv de potência e um binário de 420 Nm, que já conhecíamos, que permite acelerar dos 0 aos 100 km/h em 5,4 segundos e alcançar uma velocidade máxima de 262 Km/h.

Este motor acabou no entanto por revelar um desempenho diferente daquele que conhecíamos da versão R.S. Trophy, potenciado por três importantes fatores, que os engenheiros da Renault Sport tiveram em conta na produção deste modelo.

Assim a redução do peso, a ligação do veiculo ao asfalto e as melhorias aderodinâmicas introduzidas, acabaram por potenciar a produção de Mégane R.S. Trophy-R que impressiona quando assumimos o volante e carregamos no acelerador.

Para reduzir o peso a esta versão mais radical do Mégane R.S. Trophy, a Renault retirou o banco traseiro adotou um conjunto de detalhes em carbono, passando pelo exclusivo sistema de escape em titânio da Akrapovic com um som verdadeiramente empolgante e que permitiu um ganho de mais de 6 kg.

Desta forma a ‘dieta’ imposta levou o Mégane R.S. Trophy-R a perder 130 kg em relação a um Mégane R.S. Trophy, desprovido de opções.

A juntar a estes pormenores a Renault Sport dotou este ainda modelo de um eixo dianteiro com maior ângulo de caster negativo, eixo traseiro em H mais leve, amortecedores específicos da Öhlins ajustáveis e um sistema de travagem de alta performance da Brembo, com discos dianteiros de bi-material de 355 mm, com novas pinças de 4 pistões com 42 mm. Como opção pode contar com discos dianteiros carbo-cerâmicos de 390 mm.

Para melhorar a aerodinâmica o R.S. Trophy-R conta com carenagens específicas sob a carroçaria e um novo difusor em carbono que contribuir para melhorar o apoio aerodinâmico e a dinâmica de fluxos. Para maior eficiência térmica, o Mégane R.S. Trophy-R dispõem ainda de entradas de ar que substituem os faróis R.S. Vision e condutas de ventilação junto aos travões, entre outras soluções técnicas.

O Mégane R.S. Trophy-R está dotado de uma bateria de alta capacidade e maior desempenho em chumbo-ácido DESS (Dual Energy Storage System) de série. Como opcional está disponível uma bateria de lítio DESS, que permite um ganho adicional de até 4,5 kg.

Ao entrarmos para o interior deste ‘monstro’ do asfalto percebemos de imediato que a Renault não poupou na redução do peso, criando no seu interior um ambiente muito semelhante aquele que é utilizado por um carro desenhado para corridas de pista.

Assim as bacquets monobloco da Sabelt feitas de material compósito e cobertas a Alcantara, permitem um ajuste em três níveis de altura distintos, os vidros são mais finos e o ecrã multimédia de 7” substituiu o ecrã de 8,7” do Mégane R.S. Trophy.

Apesar desta redução intensa de peso, a Renault manteve a câmara de marcha-atrás nesta versão mais radical.

Ao volantes do Mégane R.S. Trophy-R é fácil encontrar a posição de condução certa e de sentirmos que estamos perante um desportivo com o qual não podemos facilitar, nomeadamente quando carregamos no acelerador e tentamos tirar partido da sua impressionante potência, em estradas mais sinuosas.

Quando se pressiona o botão da ignição o painel de instrumentos apresenta uma iluminação consoante o modo de condução escolhido, para além da iluminação ambiente a bordo.

A sonoridade do escape Akrapovic deixa perceber a razão porque os modelos térmicos continuam a fazer as delicias de muitos.

Já a a caixa de seis velocidades passa toda a potência ao eixo dianteiro e permite uma rápida resposta do motor.

Andar devagar com este Mégane R.S. Trophy-R até parece algo contra a natureza deste modelo, já que é a pressionar o acelerador que tiramos todo o partido deste modelo que em estradas sinuosas, revela todo o seu temperamento, nomeadamente no modo de codução ‘Race’.

O Mégane R.S. Trophy-R conta ainda com os modos de condução ‘Comfort’, ‘Sport’ e ‘Sport+’. Nos modos ‘Sport+’ e ‘Race’, é bom saber que os controlos eletrónicos de ajuda à condução permitem-nos controlar mais o carro e ao mesmo tempo saber que não podemos cometer erros.

A resposta do motor é algo que impressiona desde os baixos regimes e quando se leva este Mégane ao limite, percebemos a capacidade de resposta deste bloco.

Nas curvas mais apertadas, o Mégane R.S. Trophy-R é viciante pela forma como entrega toda a sua potência nas saídas das curvas e pela resposta da direção aos movimentos solicitados.

A suspensão adapta-se facilmente ao tipo de condução e piso, mas a verdade é que este Mégane R.S. Trophy-R é um desportivo e mesmo que se ative o modo ‘Comfort’, o amortecimento apesar de brando, deixa notar a passagem em ressaltos do asfalto ou mesmo dos buracos.

Mas é na travagem que mais impressiona o Mégane R.S. Trophy-R, pela forma eficaz e verdadeiramente potente como discos de travão bimatéria fazem o Mégane parar.

No teste que realizamos e apesar de uma utilização mais intensiva, os discos não revelaram indícios de fadiga, apesar de termos abusado da sua utilização numa estrada mais sinuosa.

Em matéria de consumos é bom deixar claro que este ‘monstro’ o asfalto não é um modelo produzido para baixos consumos e por isso é fácil ultrapassar a barreira dos 10 litros aos 100 km.

Para conseguirmos consumos na ordem dos oito litros, vamos ter de manter ritmos mais discretos e isso é verdadeiramente ‘contranatura’, num modelo que nasceu para proporcionar emoções fortes.

De recordar que a Renault produziu apenas 500 unidades deste Mégane R.S. Trophy-R, todas elas numeradas, a que testamos era o modelo número 4, e que apenas 10 vêm para Portugal.

Quanto a preço, a marca francesa fez saber que este modelo tem um custo que arranca nos 81 500 euros.

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