“Das 6 da manhã à meia noite” sempre a carburar, Phillipe Sinault conta-nos como é dirigir a Alpine

Philippe Sinault (Autoportal)
Philippe Sinault (Autoportal)

Diretor da Alpine Elf Matmut Endurance Team revela em entrevista como é o trabalho que a maior parte não vê

Philippe Sinault tem uma vida dedicada ao desporto motorizado e essa dedicação não se conta só pelo acumular de anos no currículo; conta-se também pelo passar de cada dia a carburar sempre na mesma direção, pois, nesta vida de diretor de uma equipa, a ‘competição’ rima mesmo com essa ‘dedicação’.

O diretor da Alpine Elf Matmut Endurance Team, que neste ano se estreou na categoria Hypercar do WEC, falou com o Autoportal no Autódromo Internacional do Algarve, pouco depois de concluídas as 8 Horas de Portimão.

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Procurámos saber como é o trabalho de um diretor de uma equipa de competição ao mais alto nível para lá do que se imagina que seja a coordenação de um fim de semana de corridas como este em que dirigiu uma equipa de 28 elementos. Como é o resto da semana em que não vemos os carros em pista, por exemplo?

Piloto admirador de Alain Prost quando jovem, fundador depois em 1980 da equipa Signature tornada Signatech e parceira da Alpine, com várias vitórias nas 24 Horas de Le Mans já no currículo, Philippe Sinault está aos 55 anos na principal categoria da resistência. E não pára de carburar.

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A nossa conversa aconteceu logo não muito tempo depois de terminada a corrida em Portimão. E, na box da Alpine, lá o encontrámos, estava ele já a fazer uma primeira análise ‘in loco’ ao resultado desse fim de semana. Essa foi a primeira abordagem, mas desde logo não a última, pois, no dia seguinte a cada corrida, o trabalho continua.

Autoportal: Todas as segundas-feiras há um ‘debrief’ sobre o fim de semana?

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Philippe Sinault: Sim, para saber que parte do trabalho correu bem e que parte não, para podermos melhorar.

P: Independentemente do resultado?

R: Independentemente do resultado.

P: Não lhes dá a segunda-feira de folga?

R: Não. Se perdermos ou ganharmos, temos de ver objetivamente o que passou no fim de semana.

P: Como é o seu horário durante a semana?

R: Uma grande parte do meu trabalho é reunir-me com todos os parceiros, tenho de fazer muitos contactos, dar-lhes muita informação para explicar o que se passou, para ver os próximos passos. Eu tenho as responsabilidades comerciais da equipa e é muito importante partilhar. Se nos mantivermos quietos, sem contactos ou visitas aos nossos parceiros, estamos mortos. Temos de partilhar.

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P: Depois, haverá um trabalho mais técnico, mais prático...

R: Na companhia, mantenho contactos com o ACO [Automobile Club de l’Ouest] e a FIA [Federação Internacional do Automóvel], é um ponto chave, porque há muitos aspetos políticos que é preciso perceber para fazer a boa gestão de um campeonato. Tenho reuniões com eles para ver, por exemplo, as questões do BoP.

P: Tem um horário muito fixo, como, por exemplo, neste dia é sempre para fazer isto, neste horário é sempre para fazer aquilo?

R: Eu estou na oficina [em Bourges, a cerca de 250 km de Paris] o máximo que posso. Mas também estou em Paris, porque o negócio está em Paris. Durante a semana, de segunda a terça-feira estou na oficina, os dias seguintes em Paris, ou em todo o lado, mas principalmente em Paris... E na sexta-feira regresso à oficina.

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P: Quantas horas de trabalho cumpre por dia?

R: Estou a tomar um banho às 6 horas da manhã e estou na cama à meia noite [sorri]. Faz parte da minha vida, faz parte do meu corpo. E dos motores [frisa]. Estamos sempre a pensar na próxima corrida. Sempre! Mas não é uma coisa dolorosa. É a nossa vida. Eu estou no final do duche a pensar nos novos fluxos de ar, nas novas partes das rodas e assim...

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P: É mais o senhor que vai ter com os membros da sua equipa para a realização do trabalho conjunto que procuram concretizar, ou são mais os seus elementos que vão ter consigo?

R: É uma boa questão. Nós estamos a estimular-nos uns aos outros constantemente. Para mim, eu estou disposto a luta, porque tenho a certeza de que eles também estão. Por exemplo, na conversa com um piloto, vamos ter a certeza de que fazemos ‘assim’ na paragem na box... É uma relação positiva entre nós. Eu preciso deles para me estimular e eles também precisam seguramente de mim.

Nas 8 Horas de Portimão, o carro da equipa Alpine dirigida por Philippe Sinault, que teve entre os pilotos André Negrão, com quem também falámos, terminou na terceira posição na categoria Hypercar.

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